O que é incontinência urinária e como se trata

Atualizado: 29/11/2017

Neste artigo veremos o que é incontinência urinária, quais são as suas causas mais comuns, os tipos do transtorno e quais os tratamentos recomendados.

Esta condição pode manifestar-se em qualquer idade e em ambos os sexos, embora seja mais comum em pessoas idosas do sexo feminino.

A pessoa afetada pode sofrer de incontinência discreta que seja bem tolerada, ou tão intensa que possa requerer o uso de dispositivos auxiliares (absorventes ou fraldas geriátricas, por exemplo).

O que é incontinência urinária e que consequências tem?

A incontinência urinária é a perda involuntária da urina e pode manifestar-se de forma aguda, persistente ou crônica, independentemente da idade ou do sexo do paciente.

O que é  incontinência urinária

Incontinência urinária

Esta condição desencadeia a perda do controle da bexiga e seus sintomas podem variar desde pequenas perdas de urina até a incontinência total.

As pessoas afetadas dizem que essa patologia não só afeta a sua vida social e laboral, mas também os prejudica a nível psicológico.

64% das pessoas com incontinência afirmam sentir vergonha quando falam sobre seu problema e medo de súbitos “vazamentos” em público.

Por esta razão, é comum que a sua auto-estima seja afetada e que essas pessoas tendam a isolar-se.

Segundo os especialistas, em muitos casos pode surgir estresse, ansiedade ou depressão.

Mas a incontinência urinária também desencadeia problemas de saúde física, tais como: infecções, sepse urinária, irritação e desconforto na pele, entre outros.

Por que a pessoa perde o controle sobre a sua bexiga?

Quando a bexiga está bastante cheia, os nervos enviam um sinal ao cérebro para que saiba que a urina deve ser eliminada.

A urina sai através da uretra, que até esse momento permaneceu fechada pela força dos músculos do esfíncter.

O músculo interno do esfíncter abre quando a bexiga está cheia, mas o externo se contrai de forma voluntaria, de modo que é a própria pessoa quem pode controlar a saída ou não da urina.

Por outro lado, há os chamados músculos do assoalho pélvico, localizados sob a bexiga e ao redor da uretra, que são responsáveis pelo controle correto da bexiga.

Estima-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada oito homens sofram uma interrupção deste processo de controle dos músculos responsáveis pela eliminação da urina em algum momento de suas vidas.

Quais são as principais causas da incontinência urinária?

Estas são algumas das causas médicas, condições fisiológicas ou situações pessoais que podem levar uma pessoa a sofrer de incontinência urinária.

1- A gravidez

As mudanças produzidas no corpo da mulher durante a gravidez e o parto podem desencadear incontinência urinária.

Isto é devido a uma combinação de mudanças hormonais, a pressão constante exercida pelo útero sobre a bexiga e os esforços feitos durante o parto, que acabam provocando o enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico.

As perdas de urina podem começar durante a gravidez e continuar mais tarde.

No entanto, a incontinência urinária na gravidez costuma ser temporária e muitas mães experimentam melhorias ao realizar exercícios de fortalecimento muscular pélvico.

2- A menopausa

De modo similar ao que acontece na gravidez, esta etapa da vida feminina é caracterizada por mudanças hormonais e físicas.

Neste caso, a diminuição da quantidade de estrogênio afeta os músculos abdominais, o que pode causar uma alteração na posição da bexiga, de modo que a eficácia dos músculos responsáveis por mantê-la fechada se veja reduzida.

3- As doenças neurológicas

Doenças que afetam nossas habilidades neurológicas, como o Parkinson, Alzheimer, demência, espinha bífida, síndrome de confusão aguda, esclerose múltipla ou AVC (derrame cerebral), podem causar incontinência, pois a comunicação entre o cérebro e a bexiga é afetada.

Em todos os casos, a comunicação deficiente pode levar ao desenvolvimento de uma bexiga hiperativa, que torna necessário urinar com uma frequência acima do normal, ou hipoativa, que apresenta um esvaziamento incompleto, o que produz perdas de urina.

4- O excesso de peso

O excesso de peso, especialmente em casos de obesidade, causa uma maior pressão nos músculos abdominais e pélvicos.

Isto pode ocasionar uma perda de urina em maior ou menor grau.

5- Outras doenças

Alguns transtornos podem causar o aparecimento de incontinência aguda. Mas em alguns casos isto acontece não somente enquanto dura o problema, mas também de forma permanente, como consequência do mesmo.

Alguns deles são: diabetes, hospitalização ou imobilização prolongada, doenças que aumentam o ritmo da diurese, como a hiperglicemia.

A incontinência pode aparecer como resultado de danos ou interferências nos canais nervosos, mas também pode surgir em função de um erro ao registrar esses sinais.

6- As infecções urinárias

Pessoas que tem infecções de urina de maneira frequente podem sofrer de hipersensibilidade na bexiga.

Desta forma, a bexiga que ainda não está completamente cheia, incorretamente envia ao cérebro sinais de urgência para urinar.

7- Os medicamentos e outras substâncias

A incontinência urinária também pode aparecer como um efeito colateral de certos medicamentos e do consumo de algumas substâncias que são diuréticas ou que afetam os músculos ou os nervos da bexiga.

Entre os mesmos podemos destacar: os anti-hipertensivos, os anti-gripais, os hipnóticos ou indutores do sono, e os diuréticos.

Por outro lado, as bebidas que contêm cafeína e alguns alimentos como o chocolate, também podem causar problemas no controle da bexiga.

Do mesmo modo, o álcool, que tem um efeito diurético e depressivo no cérebro, pode evitar que o mesmo se comunique corretamente com a bexiga.

Os tipos de incontinência urinária

Existem vários tipos de incontinência de acordo com a sua origem.

Estes são os principais:

– Incontinência urinária de urgência

Está relacionada ao aumento da atividade dos músculos relacionados à abertura da bexiga.

É a inflamação do epitélio interno da bexiga que causa a hiperatividade muscular.

Pode ser devida a uma infecção, mas também pode ser causada por um estímulo psicossomático, por estímulos sociais e ambientais. 

– Incontinência psicogênica

É muito rara e produz o aumento da atividade dos músculos da bexiga por um esforço inconsciente.

– Incontinência por transbordamento

Também conhecida como dissinergia do detrusor, é causada pela instabilidade do músculo detrusor da bexiga.

Às vezes está relacionada ao esforço, embora também possa aparecer sem causa óbvia.

Geralmente o paciente tem tempo de chegar a um banheiro próximo e, como resultado, os episódios de depressão são menores do que em outros tipos de incontinência.

Durante a noite, a micção força o paciente a se levantar três ou quatro vezes.

– Incontinência de esforço ou de estresse

É a forma mais frequente e consiste na perda de urina involuntária que ocorre ao fazer um determinado esforço (tosse, riso, espirro, etc.).

Acontece devido a uma diminuição da pressão intra-uretral causada por uma falha do esfíncter.

Neste caso, a perda de urina é pequena e imediata à realização do esforço. A micção é praticamente nula durante a noite.

No entanto, o incontinente pode isolar-se e deprimir-se de forma progressiva devido ao seu problema.

– Incontinência por anomalías congénitas

Por último, tem anomalías congénitas do trato urinário/genital que também podem causar a perda involuntária de urina.

Neste grupo podem ser mencionadas as fístulas vesicovaginais e o encurtamento da uretra.

Este tipo é mais comum nas crianças.

A incontinência urinaria tem cura?

O tratamento para incontinência urinária deve começar com as técnicas comportamentais, como a reeducação da bexiga e o treinamento de continência.

Isso exige que o paciente tenha suas funções cerebrais totalmente preservadas e que esteja motivado para solucionar seu problema.

No entanto, dependendo do tipo do transtorno, outros tratamentos são recomendados. Veja a seguir.

– De urgência

Este tipo de incontinência geralmente é tratado com medicamentos.

São utilizados fármacos anticolinérgicos que favorecem a retenção urinária.

Esses remédios para incontinência urinária podem ter alguns efeitos colaterais, como confusão, agitação, boca seca e hipotensão.

A estimulação elétrica é outra opção que tem apresentado resultados cada vez melhores.

– De esforço ou estresse

O treinamento de fisioterapia dos músculos pélvicos melhora esse tipo de incontinência em 60% dos casos.

Os exercícios para incontinência urinária devem ser realizados várias vezes ao dia e tem que levar em consideração que pode demorar de dois a nove meses até que os resultados comecem a ser vistos.

Se os exercícios não forem eficazes, a estimulação elétrica do músculo ou a cirurgia para incontinência urinária deverão ser realizados.

A taxa de sucesso da cirurgia de correção para incontinência urinária é de aproximadamente 90%.

– Por transbordamento

No homem, se a uretra for obstruída totalmente pela próstata, a mesma deve ser removida por meio de uma cirurgia.

Nas mulheres, são realizadas dilatações uretrais repetidas.

O tratamento farmacológico geralmente não é eficaz.

Nos casos em que o músculo detrusor da bexiga não estiver funcional, o único tratamento possível é o cateterismo da bexiga.

– Anomalias congênitas

Nestes casos, o tratamento é sempre cirúrgico para restaurar a anatomia normal do trato urinário.

Bem, isto foi tudo por hoje. Esperamos que tenha gostado destas informações sobre o que é incontinência urinária, seus tipos e tratamentos.

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